Lembra-te de usar o silêncio
quando ouvir palavras infelizes.
Quando alguém estiver irritado.
Quando a maledicência te procurar.
Quando a ofensa te golpear.
Quando alguém se encolerizar.
Quando a crítica te ferir.
Quando escutares uma calúnia.
Quando a ignorância te acusar.
Quando o orgulho te humilhar.
Quando a vaidade te provocar.
O silêncio é a gentileza do perdão
que se cala e espera o tempo
****************************Vontade de você
Essa vontade de você
Não cabe em mim.
Essa angústia
Me toma
Me quebra
E me deixa moída...
Essa vontade de você
Toma conta de mim
Como uma febre
Invadindo meu corpo
Me adoecendo
Me deixando perdida.
Essa vontade de você
Está doendo aqui dentro.
Diz pra mim, diz,
Que com um desejo assim
A gente consegue viver
Sem se perder!...
Toma logo de mim
Essa vontade de você!
Me faz compreender
Que de um desejo assim
A gente não sabe morrer!!!
Ah! Não...
Não fique sem mim,
Sem provar de mim...
Eu tô doendo
De vontade de você!
© Letícia Thompson
Pietá
Em ti me encontrei
Em mim te perdi
Algemada à tua vida
Fiz do amor sentido
Minha regra de conduta
Cada grito meu era uma ereção tua
Cada palavra tua era um êxtase meu
Excitamos em nós dois a nossa fome de amor
Mas impiedoso o destino me afasta do sonho
O insaciável o fim me aguarda
Ele já tem os cravos às mãos brutas
Eu sei que é chegada à hora
Mas antes te ofereço meu corpo
Se tens fome de mim
Prova desta dor que me consome
E se tiveres sede
Mate-a nas lágrimas que derramo
Regozija-te em mim porque eu te amo
De onde estou não mais te vejo
Mas já ouço os ais do meu martírio
Já sinto meu corpo sendo rasgado
Para que tu saias de mim
Dilacerada por mãos que não temo
Serei liberta de ti
Mesmo na cruz eu ainda te quero
Sou prisioneira das orgias que previ
Ainda desejo tuas negações excitantes
Ainda te anseio na luxuria dos meus quadris
Desata-me de ti
Não há mais tempo
Os cravos já rompem minhas mãos
Escorro-me rubra sangrando saudades tuas
Não ouses ouvir meus gritos
Não quero que sofras comigo
Se o amor tiver que morrer
Que o crime seja perfeito
Crucifica-me
.
.
Cris...nina
estilhaços
- abre as pernas
- não posso
- porquê?
- porque não...
- tens medo?
- mais ou menos...
- o medo não é assim; ou se tem medo ou não se tem!
- então terás tu de ter mais medo que eu...
- tu não me assustas criancinha... escondes alguma coisa aí, é?
- aqui não – digo fechando as pernas, unindo os joelhos com bastante força... encolhendo-me cada vez mais ao canto daquele cubo espaçoso...
- porque foges?, já não posso tocar-te? Agora tens medo de mim, é?
- já não me assustas...
- hum... que pena... é lamentável que eu já não te provoque esse efeito... seja como for... aproxima-te que não te faço mal.
- não! – e aperto as pernas com a força tremenda dos meus pequenos braços.
- estás a tremer... afinal, de que tens medo então?, porque te encolhes? Endoideceste de vez...
- tenho medo...
- medo de quê?
- do lobo...
- o lobo não existe! Está fechado, dentro do livro da avózinha e por esta hora ainda anda perdido na floresta!
- engano... ele saiu do livro.
- e foi para onde?, não queres dizer-me?
- quero... eu quero dizer-te para onde ele foi...
- e para onde foi?
- não foi... veio...
- o lobo veio? De onde?
- o lobo veio do livro para dentro de mim... é por isso que não quero que te aproximes... se vieres também ele passará a estar dentro de ti... de nós dois...
- então que venha!
- depois... não lamentes o passado... e digas que não te avisei...
Alexandra
prece
Olhai para mim Senhor
Como em vossas mãos toda eu me entrego
Não tendes pingo de piedade por minha dor?
Não tendes misericórdia pela cruz que carrego?
Ah! Meu Senhor, toda eu vos pertenço
Desde a ponta dos pés à raiz dos cabelos
Sei que sou louca, na vossa presença perco o senso
Estou, perante vós, presa de pulsos e tornozelos.
Senhor, acreditai na minha devoção
Escutai, escutai as minhas orações
O meu amor por vós não mais é que uma religião
Olhai, cuidai por meu, por vosso, por nossos corações!
Ah! Como anseio regressar a vossa garra
Não suporto mais este calvário
Este amor em vós me crucifica, em vós me amarra
Minh´alma vive em vosso corpo, meu santuário.
Alexandra Antunes
fora de controle
aqui estou eu
toma-me para sempre
guarda-me na tua mão
tranca-me dentro de ti
não libertes a minha alma.
estrangula o meu corpo
de tantos abraços, apertos
asfixia a minha boca
de tantos beijos
rasga a minha pele
com carícias devastadoras
castiga os meus pensamentos
arranca-os, destrói-os, manipula-os!
aqui estou eu
a tua bonequinha voodoo
a tua menina marionete
controla-me... controla-me...
aterroriza-me, atormenta-me
faz-me temer-te
faz-me sentir o pânico
o horror cada vez mais perto
cada vez mais intenso
cada vez mais certo...
sinto o cheiro no ar...
o cheiro da obsessão
deixo-me ser sugada, absorvida
deixo-me levar, pela tua mão...
pela tua voz, pela tua mente...
vou em queda permanente
a flutuar constantemente...
apenas tenho noção
de quão interessante é...
dar tudo o que a minha alma tem,
dar-te todo o meu bom senso,
deixar-me enlouquecer como uma terapia
perder o controle...
(já não consigo viver por mim)...
Alexandra Antunes
Memórias de sonho
escritas na areia molhada
com conchinhas de brincar
que as ondas vão depressa levar.
Pois agora sabei
os mistérios da água
que seriam de admirar
se não os ouvisse dos peixinhos contar
todos os tesouros escondidos
esquecidos no fundo do mar
à espera que alguém
os queira muito encontrar
e dali os levar,
para sempre com eles ficar.
Dentro de uma concha
está a tão procurada chave
de toda a lacuna humana
de todos os males terrenos
de todos os saberes esquecidos.
KRISTANNA BLOODRAYNE
atómica
explosão de sentidos
eu deitada
na tua cama
ardida
consumida
depois de tanto me possuíres
cais deitado
para cima de mim
quero sentir o teu peso para sempre!
explosão de sentimentos
vou
explodir
de amor
de paixão
de uma coisa qualquer
contigo
sempre
serei
uma explosão de sentidos
deitada
na tua cama
(ou noutra qualquer)
fiquei ardida
consumida
depois da tua posse...
longe de ti
ardida
consumida
que foi chama viva
agora, apagada.
Alexandra Antunes
lembrar-me outra vez
Fecho-me no quarto vazio
Nua de roupas
Despida de carne.
Choro sozinha
Tenho medo
Cerro os olhos
Deixo-me levar
Por tudo o que quero
Por tudo o que quis
A fantasia
A fantasia...
Sinto vontade de vomitar
As ideias que se chocam
As palavras que voam
Que deslizam por mim
Que sobem e descem
Numa confusão.
Quero-te no meu caminho
Quero-te tanto...
Chove lá fora
Ouço musicas dispersas
Parece que veio tudo de propósito
Ao meu encontro
Só para me lembrar
Mais uma vez
A distancia que separa
As nossas almas...
Alexandra Antunes
lo teu mar
os teus olhos, um mar
que afoga
quando olhas para mim
e eu mergulho em ti
um mar, os teus olhos
nenhum lugar é bom
longe de ti
quero continuar a ser
a criança desprotegida
que sou
vou
corro para ti
desesperada
grito
o mundo inteiro parou
não me escutam
as ondas do mar estão mudas
Eu corro para ti
a minha imagem, para os teus olhos
um mar
que afoga
corro para ti
criança desprotegida
que grita
que chora
o mundo parou
corro para o teu mar
cheguei
lugar seguro
o teu mar
fiquei
Alexandra Antunes
2h30m
De mãos trémulas, esbranquiçadas
De alma inquieta, ansiosa
Na ausência de pequenos nadas
Eu espero-te tempestuosa.
Sobre mim, choveste pesado
O meu corpo, de ti está impregnado
Trago-te comigo para todo o lado
Trago-te neste sangue envenenado.
Preciso desta paixão que me consome
Esta paixão que me rói
Esta paixão que transborda de fome
Esta paixão que me constrói, que me dói.
Espero-te na minha presença
De coração enclausurado
Busco-te na nossa diferença
De pensamento enfeitiçado.
Olha para mim, olha para ti
Repara, que diferença! Que igualdade!
Espero-te aqui...
Seja mentira, seja verdade.
Que me importa neste momento?
Se fizemos um impossível
Continuarias neste pensamento
Continuarias o mais apetecível.
Duas horas e meia
De impasse
E antes de longa ceia
Já esperava que assim acabasse.
Ai! Eu queria morrer e nascer
Novamente nos teus firmes braços
Vezes sem conta nascer e crescer
E perder-me nos meus embaraços.
Confesso-te que perdi a noção
Das vezes que contigo sonhei
Nos sonhos em que me estendias a mão
E me levavas para lugares que nunca imaginei.
Ninguém sabe ao certo
Deste meu sorriso espalhado
Deste meu olhar incerto
Que procura o brilho do teu espelhado.
São as aparências
De dois corpos estendidos
Perco-me nas tuas reticências
Desejando dois corpos unidos.
Arrasta-me a impossibilidade
Desejo-te eternamente
Oh! Céus! És tu, minha verdade!
Estás aqui; estás sempre presente.
Podes rir, duvidar, ficar indiferente
Desaparecer neste silêncio florestal
Nem bom, nem mau... diferente!
Foi o teu fogo que moldou o meu metal
Alexandra Antunes
em doce ondulação
um barco à deriva
é tudo o que desejo ser
esta noite
nos teus braços
(amor)
até amanhecer
um barco ausente
de tripulação
onde apenas trago
aquilo que por ti sinto
no meu coração
esta noite seremos
eu o barco
tu, a brisa que me embala
suavemente
na nossa cama
(amor)
essa torrente de desejo
#=============================================#
amputação tentacular
Sim, também eu sou esse polvo!
Porém, perdi alguns tentáculos
E no lugar de ventosas
Nasceram-me rosas
Que trouxeram com esta e outra onda
Búzios que se cravaram na minha pele
Em forma de espinhos;
Mas ainda te posso abraçar
Meu amor
Com a força da esperança
Que existe numa estrela cadente
E na renovação de cada lua
#=============================================#
noite saturnina
Abraça-me, ó noite!
Com o teu manto negro
mesclado de azul celestial
E afaga-me os cabelos
Com tua mão de nuvem espectral
Pois sem ti, noite
A minha imaginação jamais poderá alcançar
O ceptro da tua energia saturniana.
Alexandra Antunes
prostituição
Sinto muito a tua falta. Detesto que me deixes aqui, perdida no vazio. Sentada no nada.
Ainda te lembras quando eu desisti de amar os homens? Seria preciso encontrar uma igual a mim para que eu pudesse apaixonar-me por uma fêmea.
Elas não conseguem amar-me, percebes? Rivalizam demasiado comigo. Queria uma companheira, não uma inimiga. Tu também rivalizavas comigo. Dizes que não. Gostas de atrever-te a mentir-me á descarado.
Eu precisava de sair de dentro do meu corpo para poder amar-me como te amo. Desejo muito isso. Se pudesse, fodia-me com a mesma intensidade que tu me fodes só para sentir a raiva interior que dizes sentir.
Muitas vezes ao longo do dia noto uma certa fraqueza no corpo. Parece que vou morrer naquele instante. Sinto a mão invisível do espectro que me segura e não me deixa cair.
Vem-me á memória a tua imagem. Fragmentos de mim e de ti. Dos nossos momentos. Fico parada, encostada á parede. Respiro fundo, e fecho os olhos com muita força, muita força mesmo, a ponto de esmagar as pestanas com o sal de lágrimas evaporadas.
Já nada é igual. Perdi imenso tempo a procurar-te. Pensava não te encontrar. Eu mudei. Mudei a minha vida toda. Morro de tédio. Já não suporto esta voz que me fala e que me repreende por tudo e por nada. Esta voz arrogante e trocista que me critica sem fim. Esta voz que me diz o que é bom ou mau para mim. Esta voz que me diz que sou má, que sou fraca e que não presto. Que me grita:
-__P__R__O__S__T__I__T__U__I__S____O____T__E__U____A__M__O__R__.
Eu choro. Choro imenso. Depois rio-me. Olho para os espelhos pregados na porta do roupeiro do quarto e vejo a minha figura. Farto-me de rir. Rebolo-me pela cama e deixo absorver-me pelos ruídos nocturnos da vizinhança.
Adormeço muito tarde. Acordo várias vezes no decorrer da noite tão curta para mim. Tenho vontade de te telefonar. Já é tão tarde. É quase de manhã. Nunca te digo todas as coisas que tenho para te dizer. Desperdiço o tempo. Falamos de coisas banais.
Levanto-me. Sinto muito a tua falta. Detesto que me deixes aqui, perdida no vazio. Sentada no nada.
Sento-me á beirinha da cama. Estou toda despenteada. As olheiras cavam covas para dentro dos meus olhos. Nem sei o que pareço. Estou doente. Tenho ares disso. Os meus fantasmas atormentam-me mas fazem esforços para não me deixar cair. Levantam-me e derrubam-me com a mesma intensidade. Deixo-me cair para cima da cama por segundos... não penso em mais nada. É deprimente.
Calo a voz que me insulta, e grito no silêncio do meu quarto:
-__É__O__M_E_U__A_M_O_R__Q_U_E__M_E__P_R_O_S_T_I_T_U_I__A__A_L_M_A_.
(dito com a alma corrompida e envenenada, escrito com a mão dorida, esquartejada)
Alexandra Antunes
Por
Nazarethe Fonseca
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Você já olhou para o céu?
Viu como a lua está?
Ela cresce como minha saudade, como meu amor.
E ali perdida dentro do veludo azul da noite diz tudo que preciso saber.
Beije-me, abrace-se...
Porque não?
Você pode, você quer, e não diferente de mim anseia por mais.
Está a alcance da mão, do olhar, basta desejar.
Eu sou feita de sonho e desejo e um toque pode mudar minha face.
Mergulhe no vazio e eu te seguro, avance e meus lábios te tocaram.
Isso é pouco, é nada, eu quero o que se esconde nesse sorriso de anjo.
Fale porque não?
Explique,
Disserte, eu não me importo, mas diga porque não?
Um sussurro meu pode fazer você fechar os olhos, entreabri os lábios e esperar.
Por um beijo que virá.
Vamos...Renda-se, a meu amor.
Sou feita de luz e paz, sou metade sonho, metade mulher.
Feche os olhos e me diga porque não?
(fim)
26/10/2009
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